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sábado, 28 de abril de 2012

Meus Heróis Morreram de Overdose


Sempre fui movido a heróis. A vida inteira. Na infância, os tais “supers” me fascinavam! Como eu queria voar! Cheios de lições de fraternidade e compaixão em suas roupas coloridas e propósitos dignos... Que maravilha foi aprender o bem sem se importar a quem daquela forma!

A idade adulta vem, mas os heróis permanecem. Meu pai, por exemplo, nunca foi um estupendo exemplo para os olhos de alguns. Pagou na vida adulta um alto preço por suas irresponsabilidades da juventude. Mas para mim, é até hoje, mesmo falecido, o maior herói de todos.

E fui além, cresci adotando heróis das mais variadas estirpes. Religiosos (ops, eu também erro), políticos (ops, errei de novo), familiares, trabalhadores, amigos, etc. Todos com uma coisa em comum: a inquietude, aquela sensação irritante de ter que se mexer para mudar o cenário que o cercava, para melhor! E aí se iniciava um efeito dominó, tipo vírus se espalhando no ar. Eu cuido do meu jardim, meu vizinho fará o mesmo, o quarteirão, a rua, o bairro, etc.

Ocorre que de uns tempos pra cá, sinto tanta falta de exemplos. Sinto falta de quando meu único papel e glória era aprender a ter atitudes melhores e exercitá-las. Vejo hoje um cenário bem mais triste. Um roteiro! Um roteiro de comportamentos previsíveis que, por mais que o sejam, continuam a me surpreender.

Ah, claro. Ainda somos uma democracia, Aruan!  Liberté, Egalité, Fraternité, conceitos de  Jean-Jacques Rousseau clamados na abolição da servidão e direitos feudais na França que pautam até hoje toda e qualquer sociedade tida por democrática, lembra? Lembro sim, só que as vezes parece que esquecemos o correto conceito-metáfora de CULHÕES.

Enquanto isso, maquiamos nossa vontade gratuita e sem nexo de discordar e botar defeitos e obstáculos chamando-a de “exercício democrático do direito”, quando, na verdade, não cumprimos nem mesmo com nossas obrigações cotidianas.

Revolução! “Vamos lá, combater essa ‘teimosia’!” – “Queimem a Fulana!” – “Queimem o Ciclano!” - “Queimem!” - “Queimem-SE!” – “QUEIMEMO-NOS TODOS AOS POUCOS!” - Soa tão vazio, tão carente, tão desesperador. Alguém me empresta um espelho?

O homem é definido como um ser que evolui, como o animal é imaturo por excelência.” – Ah, Nietzsche, tá por fora, hein mano! Sou bem mais o que disse o mano Wilde: “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.”

O Che também mandou bem: "A culpa de muitos dos nossos intelectuais e artistas reside em seu pecado original; não são autenticamente revolucionários."

Mas, voltando a falar de heróis... Um pequeno exemplo da categoria de heróis que conheci, apesar de bem recente, é um Grande Mestre Estadual da Ordem DeMolay. Após realizarmos um evento da Cavalaria naquele estado, nosso querido GRANDE MESTRE pegou um rodinho, um balde, e começou SOZINHO a lavar o templo.

Estamos tão condicionados a passar a responsabilidade a diante que, juro, num primeiro momento a cena me assustou. Um Grande Mestre Estadual, que é cercado de pessoas para lhe ajudar, LAVANDO O CHÃO SOZINHO?! Pouca coisa para alguns cegos, mas cheia de significados e lições. TAPA NA CARA!

Heróis para alguns, incrível também como artista talentoso morre de overdose. Kurt Cobain, Marilyn Monroe, Jim Morrison, o ator Heath Ledger (esse eu lamentei pacas), Jimi Hendrix, dentre tantos outros. A alegria de um ‘poder’, a sensação de ser acima da linha mediana. Se embebedam de uma auto estima, por vezes muito alta, por vezes muito baixa, que não aceitam o fato de estarem cavando a própria cova em seu desesperado clamor por atenção.

Cavamos a nossa cova também ao nos enchermos de prepotência e julgamentos. Cavamos nossa própria cova quando causamos apenas por causar. E é assim que se desfaz uma história. Meus heróis. Os heróis da palavra, os MEUS heróis de tantas lições. Alguns deles, matando a si mesmos dentro de mim, em uma overdose de estranhezas. Ainda bem que o ciclo é infinito.

Agora, vamos jogar uma partida de gamão.

sábado, 12 de novembro de 2011

A Razão de Quase Toda Guerra

Desde que se conhece a história da humanidade, o que não nos falta são histórias de guerras para contar, para um filme, etc. O bicho-homem tem o dom de guerrear!

E quem foi que disse que é só com bombas e tiros que se faz uma guerra? A religião está entre os motivos que mais "justificaram" guerras na história e, em tese, deveria pregar justamente o contrário. Mas algumas ainda insistem em fazer uma guerra de princípios com outras... Triste...

Dias atrás tive a felicidade de, pasmem, participar de um retiro. Pasmem porque quem me conhece mais de perto sabe que não sou mais tão ligado em alguma religião propriamente dita. Afinal, acredito que não é a Religião em si que te aproxima de Deus (ou seja lá o nome que você dá para o Ser Supremo de sua crença), mas sim a Fé que você tem nO Cara.

Mesmo assim, lá fui eu, a convite de uma amiga e colega de trabalho e incentivado por outro amigo de quase uma década de amizade, porém fui sozinho. Entretanto, o tal retiro, intitulado Encontro com Deus, era praticamente evangélico (entenda-se aqui "embasado apenas e tão somente no evangelho, na Bíblia", sem nenhuma conotação de rótulos).

Tá, mas qual o problema disso? De fato, nenhum! A não ser o veloz movimento de parafuso que minha cabeça entrou, quando me vi confrontado com alguns conceitos que sempre carreguei comigo. Afinal, tenho uma formação católica de infância, acreditando em alguns princípios espíritas que adquiri com o passar dos meus míseros 29 anos.

Então decidi -  "já que estou aqui por vontade própria, sem nenhuma coação, vou fazer o melhor possível para aproveitar e refletir sobre a minha Fé, a minha relação direta com Deus, à minha maneira, respeitando todos os demais". E assim o fiz, sem maiores problemas. Fui muito bem tratado por absolutamente todos, inclusive pela liderança da igreja, que soube sobre minhas idéias de Deus, etc. Posso considerar que em momento algum fui "forçado" a nada e fui muito respeitado.

Sucesso total, me senti reconfortado pela minha Fé, com energias recarregadas! Mas o meu grande presente daquele retiro veio em seguida, quando o evento terminou. Percebi que o que eu tinha realizado durante aqueles dois dias, além de exercitar a minha espiritualidade, foi talvez o meu maior exercício de respeito a mim, à minha crença, ao próximo e à sua crença! O resultado disso não poderia ter sido diferente - sorrisos!

Inevitavelmente pensei: "É tão simples lidar com as diferenças - é só respeitá-las e focar naquilo que temos em comum..."

A tal razão da guerra, na verdade, deveria ser então uma oportunidade de crescer. É bem provável que no próximo cadastro que eu tenha que preencher, o faça da seguinte forma:

"Qual a sua religião?" - resposta: "O amor ao próximo..."



Observação: sim, eu voltarei lá! ;)